lundi 6 avril 2026

(22) A abracadabrante história da Criança Lua

 

 “Não se pode continuar a prostituir a ideia de teatro, que só vale por uma ligação mágica, atroz, com a realidade e com o perigo. […]

Colocada assim, a questão do teatro deve despertar a atenção geral, entendendo-se que o teatro, pelo seu lado físico, e porque exige a expressão no espaço — a única realmente efetiva — permite que os meios mágicos da arte e da palavra se exerçam organicamente e na sua totalidade, como exorcismos renovados. […]
Ou seja, em vez de regressar a textos considerados definitivos e sagrados, importa прежде de tudo romper a submissão do teatro ao texto e reencontrar a noção de uma espécie de linguagem única, a meio caminho entre o gesto e o pensamento.”
 
Antonin Artaud, Premier manifeste do Teatro da crueldade, em O Teatro e o seu duplo
 
 
 
“Há lugares onde a verdade não se representa, mas onde ela nos desfaz. Pode ser que o verdadeiro teatro nada conte: ele arrebata-nos e, ao mesmo tempo, retira-nos e, sem que no instante sintamos nada, queima-nos. Há um limiar que se passa sem sinal. Ali, como no jardim do Enfant Lune, não se atravessam os símbolos: é-se atravessado por eles. Ninguém sai ileso de um lugar que não se compreende, mas que nos transforma. Não é uma encenação: é um nascimento.
— Este teatro que queima assemelha-se a isso… mas… não é uma alegoria. É o próprio acontecimento, diz o Enfant Lune. Como nesse jardim onde o homem não passeia: perde-se nele para aí nascer verdadeiramente.”

Aucun commentaire: