mercredi 8 avril 2026

(24) A abracadabrante história da Criança Lua


Um pensamento perdido numa árvore vazia e nua. Sob o córtex, os olhos fora de vista, a Criança-Lua procura em vão um autor. Desviadas, para além dos rins desdobrados, pequenas ramificações trémulas espalham, sem contenção, a sua seiva cega nas suas cascas erguidas. A criança recorda as histórias que, ao longe, rolam e não cessam de se desenrolar…
Levemente tomado por vertigem, em plena confusão de palavras, Don Carotte tenta, um pouco em vão, lembrar-se.


Caderno de Don Carotte

Que espécie de razão poderia existir para não nos persuadirmos da boa estrela dos nossos leitores… ela que se põe a sonhar com o que poderia ser.
Que poderia ela esperar obter de agradável?
De todas as misturas de juízos a meu respeito, o facto de alguém poder substituir o eclipse profundo das minhas dúvidas faria com que a criança… pudesse ser razoavelmente admirada.
Talvez… o tempo em que… como dizer… executar um salto para trás conduziria, sem dúvida e sem cessar, a tímidas manhãs. O apagamento do seu rosto, ao longe, convém-lhe… tanto mais que o palhaço ri… dança… o comediante canta, e ele eleva-se de novo para o céu, quando o azul foi quebrado no meio do silêncio. A lenta erosão da montanha propaga-se como uma estrela ardente…
Quanto à sua saúde, os meus ouvidos educados, bem formados, falam de animais lúcidos, mas em estado de embriaguez. Alguma verdade, de tempos a tempos, por sua vez, pousa sobre a minha mão e, sob todos os pontos de vista, eu a recebo. Não importa onde, na natureza ou num livro, se formam, instáveis, rebanhos de pastores! Não cessam de mudar… Ainda que, francamente, pensem ser uns ou outros… não do tipo de fazer a mesma coisa.
A maioria deles pensa, no meio destas palavras cegas, constrangê-las a fornecer, sem esforço, do fundo do seu pescoço, a vivacidade da minha voz…
Levemente esfolado, impossível de reter, um pensamento ágil perde-se numa árvore vazia e nua. Um grande número de sorrisos refugia-se sob a casca da árvore. Outro pensamento reconhece o seu autor. Os seus olhos fechados batem em vão. Nem a menor luz. Nas suas pupilas errantes, a árvore treme em vão. Desdobra os seus ramos, balança os rins. Pequenas colunas erguidas, por ocasião dos confrontos de pensamentos secretos, elevam-se sem contenção no crepúsculo.


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