
– Compreendo então que a existência não é uma relação com um objeto, mas uma abertura a um mundo. Um mundo, não como conjunto de coisas, mas como campo de sentido em vias de nascer. Esse sentido não é dado de antemão. Ele não precede o acontecimento. Forma-se no encontro, na concordância ou na discordância entre o que vem e a minha capacidade de responder. Existir é arriscar uma resposta sem saber se ela será possível.
– Como o nosso mestre…
– Nunca sou senhor da minha existência. Se o fosse, ela deixaria de ser existência para se tornar simples funcionamento. Existir supõe uma possibilidade originária: posso ser atingido. Algo pode acontecer-me que não decorre nem do meu projeto nem da minha vontade. O que realmente existe não é aquilo que controlo, mas o que me surpreende, o que me obriga a transformar-me para poder acolhê-lo.
Há na existência uma dimensão de desenraizamento essencial. Tal como Don Carotte, não coincido comigo mesmo. Descubro-me sempre noutro lugar que não aquele onde julgava estar.
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