« A consciência não se apresenta a si mesma como fragmentada em partes. Palavras como “cadeia” ou “sequência” não a descrevem tal como ela se dá inicialmente. Ela não é algo unido: ela flui. Um “rio” ou uma “corrente” são as metáforas pelas quais ela se descreve mais naturalmente. Ao falar dela daqui em diante, chamemo-la a corrente do pensamento, da consciência ou da vida subjetiva.
Cada pensamento tende a fazer parte de uma consciência pessoal.
Em cada consciência pessoal, o pensamento está sempre mudando.
Em cada consciência pessoal, o pensamento é sensivelmente contínuo.
Ele parece sempre ocupar-se de objetos independentes de si mesmo.
Ele se interessa por certas partes desses objetos com exclusão de outras, e acolhe ou rejeita, em uma palavra, escolhe, ao longo de sua duração.
A consciência, portanto, não consiste em partes justapostas, mas em um fluxo.
As divisões que nela traçamos são o resultado de reflexões posteriores.
Nada está unido; tudo flui e se transforma.
O pensamento passa e se transforma sem cessar, e ainda assim permanece ele mesmo.
Ele não é um objeto; é um processo.»
William James, Os Princípios da Psicologia (The Principles of Psychology, 1890)

Acontece às vezes que um pensador afirma que a mente não é aquilo que acreditamos. Não uma entidade interior, nem um núcleo estável que nos pertenceria, mas um movimento. Essa afirmação perturba primeiro porque retira da mente toda substância tranquilizadora. Ela deixa subsistir apenas uma atividade, um processo em curso. Aquilo que chamamos de “nossa mente” deixa então de ser um lugar. Torna-se uma passagem.
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