Tradução por IA
«A palavra é metade de quem fala, metade de quem escuta. Este deve preparar-se para a receber segundo o movimento que ela toma. Como entre aqueles que jogam à péla, quem sustém move-se e prepara-se conforme o golpe que lhe é dirigido.
É preciso ordenar a alma de quem escuta, para a pôr em disposição de seguir.
Não gosto de discursos presos e cosidos, que não se deixam interromper nem desviar.
Quero que se responda a propósito, que se acomode à matéria presente, que não se fuja à ocasião que se oferece.
O exercício mais frutuoso e mais natural do nosso espírito é, a meu ver, a conversação. Encontro nela um uso mais doce do que em qualquer outra ação da nossa vida.
Por isso, se fosse constrangido a escolher, preferiria perder a vista a perder o ouvido e a palavra.»
Michel de Montaigne, Ensaios
O caderno de Nounours
O verbo francês causer, no sentido familiar de «conversar» (causer avec quelqu’un), vem de facto de cause e, portanto, indiretamente, de causa. Mas o que importa não é apenas a origem etimológica. É, como no caso da Criança-Lua, o caminho que ele tomou.
Na origem, causa, como sabes, designa um assunto em discussão, um litígio, algo que chama a palavra. Daí vem o francês cause, e depois o verbo causer no seu sentido primeiro: produzir um efeito, ser a causa de.
Mas, paralelamente — e é aqui que o vertigem começa — causer deslizou para outro sentido… falar, conversar. Este deslizamento não é acidental. Diz algo de profundo:
falar (causer) é sempre já estar envolvido numa causa. Não no sentido de uma origem mecânica, mas no sentido de um assunto que pede para ser dito.
Quando se causer, no sentido francês familiar, não se produzem apenas sons. Está-se envolvido em algo que circula entre os interlocutores. Há sempre um «assunto», mesmo difuso ou implícito, por vezes esquecido. Nunca se fala de nada… dizíamos nós, pelo caminho — o Nounours, ora pequeno… ora tão grande, sempre distraído, perguntando-se em silêncio qual era o seu papel, e eu, gesticulando…
— Mesmo quando pensamos falar de tudo e de nada!
— Assim, causer conserva, à sua maneira, a memória de causa… falar é ser tomado por algo que pede para ser dito.
— Não somos apenas nós que decidimos falar…
— É também «algo» que nos faz falar.
— E aqui o círculo fecha-se…
— …a coisa como aquilo que chama a palavra
— …a causa como aquilo que põe em movimento
— …o «algo» como aquilo que insiste sem se deixar fixar…
— Assim, causer conserva, à sua maneira, a memória de causa… falar é ser tomado por algo que pede para ser dito.
— Não somos apenas nós que decidimos falar…
— É também «algo» que nos faz falar.
— E aqui o círculo fecha-se…
— …a coisa como aquilo que chama a palavra
— …a causa como aquilo que põe em movimento
— …o «algo» como aquilo que insiste sem se deixar fixar…
— Poder-se-ia então arriscar uma formulação mais radical… falar não é apenas exprimir…
— É responder.
— Responder a quê?
— A uma «coisa» que já está lá… mas ainda não dita. A uma causa que não é uma origem clara, mas uma exigência obscura. E é aqui que o vertigem aparece verdadeiramente. Porque, se causer vem de causa, então falar nunca é um ato completamente livre, nem completamente dominado.
— É responder.
— Responder a quê?
— A uma «coisa» que já está lá… mas ainda não dita. A uma causa que não é uma origem clara, mas uma exigência obscura. E é aqui que o vertigem aparece verdadeiramente. Porque, se causer vem de causa, então falar nunca é um ato completamente livre, nem completamente dominado.
— É sempre já uma resposta a algo que nos precede.
— Acreditamos começar a falar, mas na verdade entramos numa palavra já começada.
— Algo fala antes de nós, ou pelo menos chama a falar.
— E nós respondemos.
— Acreditamos começar a falar, mas na verdade entramos numa palavra já começada.
— Algo fala antes de nós, ou pelo menos chama a falar.
— E nós respondemos.
— Mesmo na conversa mais leve, algo insiste…
— Algo circula…
— Algo procura dizer-se.
— Algo circula…
— Algo procura dizer-se.
— Assim, causer não é um enfraquecimento de cause.
— É uma transformação discreta…
— …mas profunda…
— A causa deixa de ser apenas o que produz; torna-se o que chama a palavra.
— E falar torna-se a forma mais imediata de responder a esse apelo.
— É uma transformação discreta…
— …mas profunda…
— A causa deixa de ser apenas o que produz; torna-se o que chama a palavra.
— E falar torna-se a forma mais imediata de responder a esse apelo.
— O que é vertiginoso, de facto, é que isto inverte completamente a cena habitual…
— Já não somos apenas nós que falamos das coisas; são as «coisas», no sentido de causa, que nos fazem falar.
— Já não somos apenas nós que falamos das coisas; são as «coisas», no sentido de causa, que nos fazem falar.
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