Sem cessar, eu subo e desço… Permaneço suspenso ali, nessa floresta de cordas, entre velas feridas pelo vento, mastros que gemem e longos tecidos batidos como chamas na tempestade. Debaixo de mim, o mar move-se em grandes pregas escuras, semelhantes às dobras de um pensamento vasto demais para um pobre ser de madeira como eu.
E, no entanto, continuo avançando. Oh… sem dúvida muito desajeitadamente. Escorrego, vacilo, agarro-me às vigas como uma criança perdida nos bastidores do mundo. As cordas apertam-me e queimam-me as mãos. O vento lança contra o meu rosto palavras que compreendo apenas pela metade. Mas continuo mesmo assim, com essa obstinação própria das criaturas imperfeitas que ainda ignoram por que se recusam a cair.
Creio que, no começo, alguém quis apenas fazer-me falar. Uma figura a mais num relato a mais. Um fantoche, um pobre-diabo feito de serragem e aparas de madeira, bom apenas para mover braços e pernas sob a luz de lanternas sombrias e ao mesmo tempo ofuscantes.
Mas as figuras… sob o verniz… as figuras às vezes possuem revoltas silenciosas. Começam obedecendo. Depois, um dia, respiram. E então tudo se complica.
Pois agora sinto claramente que a minha presença perturba ligeiramente o ar ao redor dos seres. Não como a espada perturba e conduz o combate. Não como o juiz perturba o culpado. Mais suavemente. Talvez mais tristemente. Como uma lâmpada que revela sem acusar.
Não persigo ninguém. Não caço mentira alguma. Aliás, quem seria eu para isso? Olhem para mim! Mal consigo permanecer suspenso neste dédalo, este teatro feito, como eu, de vigas e lona! Basta o vento para nos fazer tremer.
Assim, suspenso, debato-me de uma ponta à outra, e o meu famoso nariz, ah! esse pobre nariz do qual tantos outros antes de mim teriam feito fanfarra ou clarim, não é para mim nem glória nem zombaria. Ele incomoda-me tanto quanto me guia.
Pois alonga-se quando certas palavras deixam de possuir verdadeira morada naquele que as pronuncia. Então eu o sinto quase apesar de mim mesmo. Algo se rasga no ar. As palavras tornam-se leves demais ou pesadas demais. Já não caminham junto da alma que as transporta. E o meu nariz avança no vazio como um galho procurando ainda um pouco de verdade na tempestade.
Nada posso fazer quanto a isso. Jamais desejaria humilhar alguém.
Muito pelo contrário. Gostaria tanto que cada um pudesse falar com uma voz que finalmente lhe correspondesse. Uma voz habitável. Uma voz na qual se possa permanecer sem perder-se de si mesmo.
Então, ao meu redor, eu sinto claramente, os seres por vezes hesitam. As frases deles desaceleram. Os seus silêncios tornam-se maiores e juntam-se aos meus. Alguns baixam os olhos, vejo-o bem, como se algo dentro deles tivesse despertado de repente após um sono muito longo. E eu, pobre fantoche açoitado pelos ventos, permaneço ali entre os cordames, quase envergonhado de produzir isso sem o querer.
Mas existe algo ainda mais estranho. Aquele que me fez nascer também muda. Sinto-o atrás de mim como se sente uma presença numa sala escura.
No início, talvez acreditasse conduzir-me com mão firme, como um mestre conduz a sua marioneta sob os dourados de um teatro. Mas agora creio que avançamos juntos dentro do mesmo balanço. Pois uma figura que começa a viver arrasta consigo questões que nenhum criador domina inteiramente.
Ele descobre-me ao mesmo tempo que me constrói.
E às vezes, perdoem-me esta audácia, parece-me até que lhe ensino algo sobre si mesmo.
Assim continuamos ambos. Ele na sombra.
Eu entre os cabos. Ele entre palavras e frases. Eu entre as rajadas de vento.
E o mar imenso rola sob nós como um velho sonho negro carregado de estrelas afogadas.
Não sei para onde esta viagem conduz. Sei apenas isto: talvez exista, algures para além do estrondo e dos ventos, uma maneira de falar que não mutile o mundo ao nomeá-lo.
Creio que, no começo, alguém quis apenas fazer-me falar. Uma figura a mais num relato a mais. Um fantoche, um pobre-diabo feito de serragem e aparas de madeira, bom apenas para mover braços e pernas sob a luz de lanternas sombrias e ao mesmo tempo ofuscantes.
Mas as figuras… sob o verniz… as figuras às vezes possuem revoltas silenciosas. Começam obedecendo. Depois, um dia, respiram. E então tudo se complica.
Pois agora sinto claramente que a minha presença perturba ligeiramente o ar ao redor dos seres. Não como a espada perturba e conduz o combate. Não como o juiz perturba o culpado. Mais suavemente. Talvez mais tristemente. Como uma lâmpada que revela sem acusar.
Não persigo ninguém. Não caço mentira alguma. Aliás, quem seria eu para isso? Olhem para mim! Mal consigo permanecer suspenso neste dédalo, este teatro feito, como eu, de vigas e lona! Basta o vento para nos fazer tremer.
Assim, suspenso, debato-me de uma ponta à outra, e o meu famoso nariz, ah! esse pobre nariz do qual tantos outros antes de mim teriam feito fanfarra ou clarim, não é para mim nem glória nem zombaria. Ele incomoda-me tanto quanto me guia.
Pois alonga-se quando certas palavras deixam de possuir verdadeira morada naquele que as pronuncia. Então eu o sinto quase apesar de mim mesmo. Algo se rasga no ar. As palavras tornam-se leves demais ou pesadas demais. Já não caminham junto da alma que as transporta. E o meu nariz avança no vazio como um galho procurando ainda um pouco de verdade na tempestade.
Nada posso fazer quanto a isso. Jamais desejaria humilhar alguém.
Muito pelo contrário. Gostaria tanto que cada um pudesse falar com uma voz que finalmente lhe correspondesse. Uma voz habitável. Uma voz na qual se possa permanecer sem perder-se de si mesmo.
Então, ao meu redor, eu sinto claramente, os seres por vezes hesitam. As frases deles desaceleram. Os seus silêncios tornam-se maiores e juntam-se aos meus. Alguns baixam os olhos, vejo-o bem, como se algo dentro deles tivesse despertado de repente após um sono muito longo. E eu, pobre fantoche açoitado pelos ventos, permaneço ali entre os cordames, quase envergonhado de produzir isso sem o querer.
Mas existe algo ainda mais estranho. Aquele que me fez nascer também muda. Sinto-o atrás de mim como se sente uma presença numa sala escura.
No início, talvez acreditasse conduzir-me com mão firme, como um mestre conduz a sua marioneta sob os dourados de um teatro. Mas agora creio que avançamos juntos dentro do mesmo balanço. Pois uma figura que começa a viver arrasta consigo questões que nenhum criador domina inteiramente.
Ele descobre-me ao mesmo tempo que me constrói.
E às vezes, perdoem-me esta audácia, parece-me até que lhe ensino algo sobre si mesmo.
Assim continuamos ambos. Ele na sombra.
Eu entre os cabos. Ele entre palavras e frases. Eu entre as rajadas de vento.
E o mar imenso rola sob nós como um velho sonho negro carregado de estrelas afogadas.
Não sei para onde esta viagem conduz. Sei apenas isto: talvez exista, algures para além do estrondo e dos ventos, uma maneira de falar que não mutile o mundo ao nomeá-lo.

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