A ilha principal destacava-se pela sua austeridade.
Nada tinha dessas terras verdejantes onde a vida escorre em abundância. Era um amontoado de rochas escuras, basálticas, por vezes vitrificadas pelo fogo… O seu solo era irregular, muitas vezes cortante, eriçado de escórias onde, ainda hoje… se adivinha o vestígio da erupção que a moldou. As rochas, de um negro mate ou de um cinzento ferruginoso, estão fendidas, sulcadas por falhas que exalam um vapor morno, por vezes sulfuroso. Têm esse odor de ovo, de ferro enferrujado e de cinza molhada que se respira nas fendas vulcânicas da cordilheira dos Andes.O espelho dá a impressão de uma imediatidade absoluta. Ele devolve o que está ali, no instante, sem demora. Nada parece depositar-se nele. Nada parece permanecer. Não tem espessura, nem passado. Oferece uma presença pura, ou pelo menos é assim que se apresenta.
A memória, pelo contrário, parece ser o oposto. Ela conserva, retém, acumula. Introduz o tempo onde o espelho parecia aboli-lo. Nunca é imediata: retorna depois de ter transformado. Muitas vezes… altera.

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