“O que caracteriza a imagem, a representação tal como a concebemos pelo menos desde o Paleolítico, é que algo preexistente nela se encontra indefinidamente e de mil maneiras reencenado. Trata-se, portanto, de um vínculo eminentemente ativo mantido com o mundo. Os motivos na caverna de Lascaux, por exemplo, testemunham uma civilização e modos de ser que não se contentaram em ver, mas deram a ver a sua apreensão do cosmos. Uma relação não confusa, mas perturbada, insatisfeita com o real, leva a recompor certos de seus termos, a reorganizá-lo de outro modo, para revelar algumas de suas dimensões ocultas ou magnificar outras. É por essa razão que a obra recorre à imaginação: ela sempre faz confrontar fragmentos da realidade com a pura liberdade de nossa subjetividade criadora.”
Éric Sadin, Le Monde diplomatique, novembro de 2023
– Algumas palavras, mais do que outras, contêm uma quantidade muito variável de tempo, independente do seu comprimento ou do número de letras que as compõem, de modo que a sua presença dura mais ou menos. Acontece que a presença de certas palavras permanece ativa mesmo depois que outras palavras são pronunciadas. Acontece também que a presença da primeira projeta uma sombra sobre as seguintes ou se mistura com a segunda, formando então uma espécie de quimera do ponto de vista do sentido.
– Pergunto-me se não se poderia dizer quase a mesma coisa a respeito das imagens…
– Pergunto-me se não se poderia dizer quase a mesma coisa a respeito das imagens…


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