mardi 17 mars 2026

(4) A abracadabrante história da Criança Lua



« Em qualquer lugar, à vontade, posso lançar um véu sobre o meu olhar: de repente, retiro-me para dentro de mim mesmo e ali encontro uma câmara escura onde todos os acidentes da Natureza se reproduzem sob uma forma muito mais pura do que aquela sob a qual aparecem aos meus sentidos exteriores. » Ele aprendera a cultivar visões que não eram alimentadas pela fantasia, mas pela verdade — a verdade da sua memória e da sua observação — e que podia convocar à vontade e modificar conforme o seu desejo.

Honoré de Balzac





Prólogo

O prólogo está diante da obra.
É uma porta que abre a casa.
É a primeira aparição.
Antes que se entre, ele se mostra.
É como o burro atrelado à frente da carroça. Ele bate no chão, puxa e, num esforço supremo, arranca a carroça da imobilidade.
Assim começa o livro, num impulso.
Mas mal o caminho é tomado
já o olhar se volta para outro lado. Os caminhos se abrem. A viagem começou. O prólogo permanece no ponto de partida e se apaga. No entanto, foi ele que deu o impulso. Agora ele se cala, e todo o livro continua a avançar sob o ímpeto dessa primeira palavra. E quando, mais tarde, tendo atravessado algumas fronteiras, se regressa ao começo, surge o espanto.
Nessas poucas linhas já estava o rumor de todo o livro, assim como na aurora já existe todo o dia.


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