Benoît Heilbrunn, Psychologie de la manipulation, Pocket Agora Ensaios, p.227
– Diga-me… o que sabe sobre a palavra “morada”?
– Segundo o nosso mestre, a palavra “morada” parece simples, quase doméstica. No entanto, abriga uma profundidade histórica e ontológica surpreendente.
– De onde vem?
– Etimologicamente, morar vem do latim demorari. Nele encontramos a raiz morari, “atrasar-se ou permanecer”, ligada a mora, o atraso, a duração que suspende o curso ordinário das coisas.
– E o que acrescenta… ou separa o prefixo “de”?
– Aqui ele não marca uma separação, mas uma intensificação ou um cumprimento: demorari significa também parar completamente ou prolongar a permanência.
– Portanto, originalmente, morar é tomar o tempo de permanecer.
– Exatamente… esse primeiro sentido é decisivo. Antes de designar uma habitação, a morada é прежде de tudo uma pausa no fluxo, uma espessura de tempo antes de ser um espaço. Não é apenas um lugar onde se vive, mas um lugar onde se consente em permanecer.
– Há então uma passagem…
– A passagem do tempo para o espaço… Como isso acontece?
– Acontece de maneira bastante natural. Permanecer em algum lugar acaba por produzir um lugar estável. A morada torna-se então a casa. Esse lugar habitado é o espaço que acolhe e protege. No entanto, mesmo nesse sentido concreto, a temporalidade não desapareceu.
– Desenvolva, por favor.
– Uma morada não é simplesmente um edifício: é um lugar investido pela duração. Uma ruína pode ser um edifício, mas deixa de ser uma morada quando uma presença… humana… ou outra… se retirou dela.
– Se o entendo bem… o que faz a morada não é a pedra ou a construção, mas a persistência de uma vida.
– Morar é habitar. “Moramos neste blog” significa que ali fixamos a nossa existência.
– Mas morar também significa subsistir, sobreviver: “De nós permanecerão apenas alguns vestígios”, “isso permanece apesar de tudo”. Aqui o lugar desaparece em favor do tempo. O que permanece é aquilo que atravessa a erosão, aquilo que fica depois do desgaste.

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