Enquanto Pinóquio o Outro, suspenso pelo fio da história, tenta — aparentemente… e, por enquanto, em vão — influenciá-la, os dois papagaios, por sua vez, dissertam à sua maneira sobre aquilo que poderia explicar isto… ou aquilo…

— Acontece-me às vezes…
— O que lhe acontece?
— Perder o fio.
— O fio de quê?
— O fio desta história…
— Eu falaria antes de uma corda.
— Porquê?
— Porque, tal como a corda não começa pela corda, esta história não começa pela história.
— Está novamente muito misterioso… O que quer dizer?
— Ela começa muito antes.
— Onde… e quando?
— Numa multiplicidade de fios que, à primeira vista, parecem insignificantes; tomados isoladamente, não têm nem a aparência nem o destino daquilo em que se tornarão. E, no entanto, cada um desses fios já é uma corda em potência.
— Uma corda em miniatura!
— Sim, um esboço de tensão…
— Mas ainda muito longe de conseguir resistir…
— Um fio já é uma direção, já é uma possível tração. Pode ser puxado, pode ser esticado, mas não resiste. Tem razão… cede demasiado depressa.
— Ainda não possui essa estranha capacidade de durar sob tensão.
— É aqui que a composição se torna importante.
— Compor não é somar.
— Não é simplesmente juntar vários fios.
— Se tomarmos dois fios, eles podem ficar lado a lado, mas continuam independentes.
— Apenas coexistem.
— Pior ainda, podem deslizar um sobre o outro.
— Ah!..
— A tensão não se transmite verdadeiramente: escapa-se…
— Perde-se nesse deslizamento.
— Ainda não existe solidariedade.
— Com três fios surge uma possibilidade, mas ela continua frágil. Se tiverem comprimentos diferentes, a tensão não se distribui igualmente. Um suporta mais do que o outro, outro afrouxa, um terceiro estica-se em excesso. O conjunto ainda não está unificado. Há uma justaposição de esforços, mas ainda não uma comunidade de tensão.
— O que falta?
— O que falta não é o número. É a maneira.

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