vendredi 2 janvier 2026

Anatole (Versão em português)

 Tradução automática


Lucian não saberia dizer quando o nome Anatole se impôs. Ele não estava escrito no caderno que Igniatius lhe havia enviado e ainda não tinha sido pronunciado por Igniatius.
Escorregou entre duas frases, sem que ele se desse conta.
“Anatole…”, tinha dito.
Quase para ver que efeito produziria.
Félix não reagiu. Nem mesmo um sinal.
Esse silêncio não era nem aprovação nem recusa. Era antes uma maneira de não dar consistência rápido demais ao que acabava de ser lançado.
“Não é um nome próprio”, retoma Lucian depois, como se se corrigisse sem que lhe tivessem pedido. “É… o que resta quando nenhum dos três fala de verdade.”
Ele procura as palavras. Sente que, se for longe demais, fabricará uma figura. E isso já seria demais… então recapitula… Don Carotte fala para se sustentar… Sang Chaud fala para resistir… Igniatius fala para se contar.
Ele se interrompe brevemente e continua.
“Anatole… não é alguém que fala. É o que acontece quando falar já não basta.”
Félix deixa que isso venha.
Lucian retoma ainda, mais lentamente.
“No caderno, há um momento estranho. Sem que nada seja acrescentado… e no entanto… algo mudou. As frases são mais curtas. Como se a escrita hesitasse em continuar a produzir imagens.”
Ele folheia.
“É o seu caderno?” pergunta Félix, que tem dificuldade em acompanhar o pensamento de Lucian.
É preciso dizer que os cadernos, seja o de Lucian ou o de Igniatius… se parecem, e que, como o próprio Igniatius observava, as escritas todas se parecem…
“Não, Félix, estou falando do caderno de Don Carotte…”
“Que… já que Don Carotte é uma criação de Igniatius… só pode ser escrito por Igniatius… se entendo bem…”
“Você entendeu, Félix… é mesmo o caderno de Don Carotte… Veja… aqui, Don Carotte não descreve mais. Ele constata e… Sang Chaud não responde mais. Ele… anota.”
“E Igniatius…?” pergunta Félix.
“Igniatius desaparece literalmente do texto… sem ser nomeado ausente.”
“E Anatole?” desliza Félix sub-repticiamente, sem insistir.
Lucian sorri de leve.
“Anatole é talvez… um silêncio… e esse silêncio começa a criar um laço. É uma voz que, sem oferecer solução, faz um ponto… um ponto onde nenhum pode dizer ‘eu’, como dizer… sem tropeçar.”
Ele se interrompe de repente.
“Percebo que, assim que tento defini-lo, eu o perco.”
“Então não o defina”, diz Félix.
A réplica de Félix cai simplesmente. Não fecha nada. Lucian respira.
“Anatole não pensa.”
“E, segundo o que você me disse, ele não age.”
“E nem sequer se lembra.”
Félix e Lucian se calam, o olhar voltado para dentro.
“Ele ilumina. Mas não como uma lâmpada, Félix. Mais como uma abertura mal ajustada. Luz demais de uma vez. A gente desvia o olhar.”
Ele levanta a cabeça.
“Se eu o fizer um personagem, eu o traio. Se eu o fizer um sentido, eu o fecho. Ele só existe enquanto ninguém se apodera dele.”
Félix acena quase imperceptivelmente.
“Então fiquemos por aqui”, diz ele.
Ali onde algo se diz sem ainda querer ser compreendido.
Lucian fecha o caderno.
Pela primeira vez em muito tempo, ele não procura a continuação.
Ele aceita que o texto, por ora, pare onde a linguagem começa a faltar, e que essa falta, precisamente, faça trabalho.
Félix, por sua vez, luta contra os pensamentos que afluem e se recusam a desaparecer…


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