dimanche 25 janvier 2026

 


“Nunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro como demasiado lento a chegar, como para apressar o seu curso; ou evocamos o passado para o deter como demasiado rápido: tão imprudentes somos que erramos em tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos que pensamos nos que nada são e deixamos escapar, sem reflexão, o único que subsiste. É que o presente geralmente nos fere. Nós o ocultamos de nossa vista porque nos aflige; e, se nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar. Procuramos sustentá-lo pelo futuro e pensamos em dispor de coisas que não estão em nosso poder para um tempo ao qual não temos garantia de chegar.
Que cada um examine seus pensamentos: encontrá-los-á sempre ocupados com o passado ou com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, se nele pensamos, é apenas para tirar dele alguma luz a fim de dispor o futuro. O presente nunca é nosso fim; o passado e o presente são nossos meios; somente o futuro é nosso fim.
Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.”

Blaise Pascal, Pensées (fragmento Inconstância, ed. Brunschvicg 172 / Lafuma 47)


Caderno de Anatole
A pergunta surge como uma aparição espontânea. Chega sem anúncio e encontra imediatamente o seu lugar. Acessarei um pensamento verdadeiramente novo? Um pensamento que ultrapasse a melhoria e a correção, um pensamento oriundo de uma fonte ainda inexplorada do campo dos possíveis. Deixo essa pergunta vibrar em mim e percebo de imediato a armadilha sutil que ela contém. Sua forma reproduz exatamente aquilo que tento ultrapassar.
Examinando com mais atenção o que chamo de pensar, observo nele um movimento que se apoia no já conhecido. Uma imagem conduz a outra. Uma memória prolonga-se em expectativa. A própria invenção procede por montagem. A ruptura aparente corresponde a um deslocamento dentro de um mesmo território. O pensamento revela-se condicionado, não por falta de valor, mas por seu caráter automático. Ele opera com eficácia. Age antes de acolher plenamente o que se apresenta.
Uma compreensão se instala pouco a pouco: buscar um pensamento novo ainda pertence à atividade do pensar. O passado projeta-se em direção a um futuro imaginado como livre. Esse movimento mantém o círculo. O condicionamento se preserva pelo próprio esforço destinado a aboli-lo. A imagem da água torna-se clara: querer sair dela puxando o próprio reflexo pertence à mesma lógica circular.
Uma transformação ocorre em outro lugar. Diz respeito à relação com o pensamento. Deixo de lhe pedir o que ultrapassa seu domínio. Deixo de lhe confiar a expectativa de uma revelação. Eu o observo passar. Acompanho suas repetições e seus desvios. Concedo-lhe uma atenção aberta, sem intenção. Nessa qualidade de olhar, algo inesperado se manifesta.
Surgem instantes em que o pensamento se interrompe por si mesmo. Essa interrupção acontece naturalmente, sustentada pela evidência do instante. Esses momentos se preenchem de uma presença tranquila. Uma percepção direta se desdobra, sem voz interior para nomear. Não se trata de um pensamento novo. Trata-se do desaparecimento da necessidade de pensar.


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