samedi 31 janvier 2026

Consentement

 
« Écrire, c’est se livrer à l’épreuve de la perte. Celui qui écrit accepte de ne pas retenir ce qu’il a pourtant vécu avec la plus grande intensité. L’œuvre ne conserve pas l’expérience, elle en marque l’absence. Elle ne restitue pas ce qui fut, elle en indique l’éloignement. Ainsi l’écriture n’est pas la sauvegarde d’un sens intact, mais l’accueil d’un manque irréductible. Ce qui a été vécu ne passe pas dans le langage sans s’y perdre, et cette perte n’est pas accidentelle. Elle est la condition même de ce qui peut être dit. Vouloir écrire sans consentir à cette dépossession, ce serait vouloir parler sans distance, sans écart, sans silence. Or c’est dans cet écart que l’œuvre prend lieu, et c’est en s’y tenant que l’écrivain demeure fidèle à ce qui l’excède. »
 
Maurice Blanchot,  La solitude essentielle
 
 
 

 
Journal d'Anatole
 
Je me tais souvent. Ce retrait n’est pas un refus. Il vient d’une surcharge. Parler exige un effort de simplification qui me coûte. Je regarde. J’écoute. Je laisse le monde me traverser sans tenter immédiatement de le convertir en paroles. Cette posture accentue le malentendu. On me croit simple d’esprit, naïf, presque inapte. Le bonnet d’âne devient une possibilité symbolique, silencieuse, mais persistante.
Pourtant, quelque chose travaille sous cette apparence. Les phrases se forment malgré tout, en dessous du seuil de l’énonciation. Elles cherchent une voie plus lente. L’écriture m’offre un autre rythme. Elle autorise le détour. Elle me permet d’approcher le langage sans exiger une adéquation immédiate. Je peux y déposer des fragments, des tentatives, des gestes incomplets.
Peu à peu, une compréhension se dessine. Je ne ferai jamais passer l’ensemble. Ce trop ne se transporte pas intact. Il faut consentir à la perte, non comme une défaite, mais comme une condition. Écrire devient un art de la traduction imparfaite, une manière de rester fidèle sans prétendre à l’exactitude.
Je demeure ainsi dans un espace intermédiaire. Ce que je vis excède ce que je peux dire. Ce que je dis indique plus qu’il n’explique. L’écriture ne résout pas le malentendu. Elle lui donne une forme habitable. Elle maintient ouverte la distance entre la richesse intérieure et le monde commun, et c’est dans cette distance, désormais, que je tiens.



vendredi 30 janvier 2026

Unfaithful

 
“Gentleness, though… A gentleness that cannot be measured, that cannot be reduced to any idea, to any feeling. A gentleness that words have not taught me, that paintings, films, musical airs, rhythms have not been able to restore to me. It is there, the supreme softness, at this instant, so evident, so pure, so disturbing that I would like to tear myself away from the ghost of my body and plunge into it, merge with it, swim in this sea, float, wander, dissolve!It happened to me, it was given to me, to me who asked for nothing, who hoped for nothing! It burst forth, immensely bursting forth from everywhere at once, appearing miraculously, continuously, over the spectacle of reality. Before it, there was nothing. Or rather, there was the room, with its walls covered in yellowish paper, its wooden furniture, its paper books, its windows, its door, its rugs and blankets, its stained ceiling, its bare electric bulb at the end of the twisted wire. And then, all at once, as I was looking at it, reality became covered in crystal. Nothing shattered, nothing sparkled; transparent light settled upon the world, so beautiful that I could no longer understand. Everything, absolutely everything, was there; at once strange and familiar, distant and very near, magical and calm. The air was like fire. The walls were like fire. The scattered, motionless objects stood upright by themselves like flames. In the closed room, the electric light burst from the bulb with a fierce brilliance. Sounds, smells, sensations of distance or hardness, presence—all of this merged with vision. Everything became an unfolded spectacle, a spectacle that I did more than see, that I was, that I was. Delicate, chiselled, minute in the smallest detail, the miracle was constructed without moving. It was in itself, settled into its own life, and it could no longer disappear. With my eyes, stretched out before me like tentacles, I touched the layers of air. I passed through them while vibrating, and I went far beyond the walls of the room. Like a race through black and icy emptiness, the movement of my sight and my senses advanced through the midst of existence. The naked objects, as if placed on pedestals, were erected and became statues. Glass, metal, granular plastic matter, beige, ochre, yellow, white, grey colours were spread everywhere. Each pose was at once armoured, hermetically enclosed in its impenetrable and fierce shell, and at the same time livid, transparent, slippery—one ventured into it as into a drop of water.”

J. M. G. Le Clézio, The Material Ecstasy, Folio Essays


Anatole’s Journal

Around me, language circulates with ease. Exchanges happen quickly. Words find their place. I perceive this movement. At times, I accompany it. But when I try to bring into it what I feel, something contracts. The chosen word does not hold. It lets the essential slip away. It freezes what, within me, remains alive, mobile, still in formation.

I then understand that the language I use is not the language of my experience. It belongs to the common world, to its usages, to its necessities. It does not matter which one: it always presupposes a prior reduction. Yet what passes through me resists this operation. It overflows. It exceeds the available frames. To speak, I must constantly translate. I must look for equivalents or, at the very least, accept approximations that seem unfaithful to me.

This inner labour is constant. It exhausts me. What reaches others arrives diminished, sometimes awkward… and even, most often, if not opaque, then at least complicated. The gap becomes visible. My silence is interpreted as emptiness. My slowness is taken for a lack. People think I do not grasp, when in fact I grasp too much. I am seen as dreamy, distracted, elsewhere, as if withdrawn from the world, when in truth I am immersed in it without any filter.


Infiel

 

“A doçura, no entanto… Uma doçura que não se mede, que não pode ser reduzida a nenhuma ideia, a nenhum sentimento. A doçura que as palavras não me deram a conhecer, que os quadros, os filmes, as melodias, os ritmos não souberam restituir-me. Ela está ali, a suavidade suprema, neste instante, tão evidente, tão pura, tão perturbadora que eu gostaria de arrancar-me do fantasma do meu corpo e mergulhar nela, confundir-me com ela, nadar nesse mar, flutuar, vaguear, dissolver-me!
Isso aconteceu comigo, foi-me dado, a mim que nada pedia, que nada esperava! Jorrou, imensamente jorrou de todos os lados ao mesmo tempo, apareceu milagrosamente, continuamente, sobre o espetáculo da realidade. Antes dela, não havia nada. Ou melhor, havia o quarto, com suas paredes de papel amarelado, seus móveis de madeira, seus livros de papel, suas janelas, sua porta, seus tapetes e cobertores, seu teto manchado, sua lâmpada elétrica nua na ponta do fio torcido. E depois, de repente, enquanto eu a olhava, a realidade se cobriu de cristal. Nada se quebrou, nada cintilou; a luz transparente se instalou sobre o mundo, tão bela que eu já não conseguia compreender. Tudo, absolutamente tudo, estava ali; ao mesmo tempo estranho e familiar, distante e muito próximo, mágico e calmo. O ar era como fogo. As paredes eram como fogo. Os objetos dispersos, imóveis, erguiam-se por si mesmos como chamas. No quarto fechado, a luz elétrica irrompia da lâmpada com um brilho feroz. Os ruídos, os odores, as sensações de distância ou de dureza, a presença — tudo isso se misturara à visão. Tudo se tornara espetáculo estendido, espetáculo que eu mais do que via, que eu era, que eu era. Delicado, talhado, minucioso no menor detalhe, o milagre se construía sem se mover. Estava em si mesmo, instalado em sua própria vida, e já não podia desaparecer. Com meus olhos, estendidos diante de mim como tentáculos, eu tocava as camadas do ar. Eu as atravessava vibrando e ia muito além das paredes do quarto. Como uma corrida no vazio negro e gelado, o movimento do meu olhar e dos meus sentidos avançava no meio da existência. Os objetos nus, como se estivessem sobre pedestais, erguiam-se e tornavam-se estátuas. O vidro, o metal, a matéria plástica granulada, as cores bege, ocre, amarela, branca, cinzenta espalhavam-se por toda parte. Cada pose era ao mesmo tempo blindada, hermeticamente encerrada em sua carapaça impenetrável e feroz, e ao mesmo tempo lívida, transparente, escorregadia — aventurava-se nela combo numa gota de água.”

J. M. G. Le Clézio, O Êxtase Material, Folio Ensaios



Diário de Anatole

À minha volta, a linguagem circula com facilidade. As trocas acontecem rapidamente. As palavras encontram o seu lugar. Eu percebo esse movimento. Às vezes, acompanho-o. Mas quando tento fazer entrar nele o que sinto, algo se contrai. A palavra escolhida não se sustenta. Ela deixa escapar o essencial. Ela fixa aquilo que, em mim, permanece vivo, móvel, ainda em formação.

Compreendo então que a língua que emprego não é a da minha experiência. Ela pertence ao mundo comum, aos seus usos, às suas necessidades. Pouco importa qual seja: ela supõe sempre uma redução prévia. Ora, o que me atravessa resiste a essa operação. Transborda. Excede os quadros disponíveis. Para falar, devo traduzir sem cessar. Devo procurar equivalências ou, pelo menos, aceitar aproximações que me parecem infiéis.

Esse trabalho interior é constante. Ele me esgota. O que chega aos outros chega diminuído, por vezes desajeitado… e mesmo, na maioria das vezes, se não opaco, ao menos complicado. O descompasso torna-se visível. O meu silêncio é interpretado como vazio. A minha lentidão passa por falta. Julgam que não compreendo, quando na verdade compreendo demais. Veem-me sonhador, distraído, alhures, como se eu estivesse afastado do mundo, quando na realidade estou nele mergulhado sem nenhum filtro.



Infidèle



« La douceur, pourtant... La douceur qu'on ne mesure pas, qu'on ne peut réduire à aucune idée, à aucun sentiment. La douceur que les mots ne m'ont pas fait connaître, que les tableaux, les films, les airs de musique, les rythmes n'ont pas su me restituer. Elle est là, la suavité suprême, à cet instant, si évidente, si pure, si troublante que je voudrais pouvoir m'arracher au fantôme de mon corps et me plonger en elle, me confondre avec elle, nager dans cette mer, flotter, vaquer, me dissoudre!
Cela m'est arrivé, m'a été donné, à moi qui ne demandais rien, qui n'espérais rien! Jaillie, immensément jaillie de partout à la fois, apparue miraculeusement, continûment, sur le spectacle de la réalité. Avant elle, il n'y avait rien. Ou plutôt, il y avait la chambre, avec ses murs aux papiers jaunâ-tres, ses meubles en bois, ses livres en papier, ses fenêtres, sa porte, ses tapis et ses couvertures, son plafond taché, son ampoule électrique nue au bout du fil tressé. Et puis, d'un seul coup, alors que je la regardais, la réalité s'est couverte de cristal. Rien n'a éclaté, rien n'a scintillé; la lumière transparente s'est installée sur le monde, si belle que je ne pouvais plus comprendre. Tout, absolument tout était là; à la fois étrange et familier, lointain et tout proche, magique et calme. L’air était comme du feu. Les murs étaient comme du feu. Les objets épars, immobiles, étaient debout sur eux même comme des flammes. Dans la chambre fermée, la lumière électrique sortait de l'ampoule avec un éclat forcené. Les bruits, les odeurs, les sensations de distance ou de dureté, la présence, tout cela s'était mêlé à la vision. Tout était devenu spectacle étalé, spectacle que je faisais plus que voir, que j'étais, que j'étais.. Délicat, ciselé, minutieux dans le moindre détail, le miracle se construisait sans bouger. Il était en lui, installé dans sa propre vie, et il ne pouvait plus disparaître. De mes yeux, tendus devant moi comme des tentacules, je touchais les couches de l'air. Je passais à travers elles en vibrant, et j'allais bien au-delà des murs de la chambre. Comme une course dans le vide noir et glacé, le mouvement de ma vue et de mes sens avançait au milieu de l'existence. Les objets nus, comme s'il y avait eu des socles, étaient dressés et devenaient des statues. Le verre, le métal, la matière plastique granulée, les couleurs beige, ocre, jaune, blanche, grise, étaient répandues partout. Chaque pose était à la fois cuirassée, hermétiquement enfermée dans sa carapace impénétrable et féroce, et en même temps livide, transparente, glissante, on s'y aventurait comme dans une goutte d’eau.»

J.M.G. Le Clézio, L’extase matérielle, folio essais 



 Journal d'Anatole
 
Autour de moi, le langage circule avec aisance. Les échanges se font rapidement. Les paroles trouvent leur place. Je perçois ce mouvement. Je l’accompagne parfois. Mais lorsque j’essaie d’y faire entrer ce que je ressens, quelque chose se contracte. Le mot choisi ne tient pas. Il laisse échapper l’essentiel. Il fige ce qui, en moi, reste vivant, mobile, encore en formation.
Je comprends alors que la langue que j’emploie n’est pas celle de mon expérience. Elle appartient au monde commun, à ses usages, à ses nécessités. Peu importe laquelle: elle suppose toujours une réduction préalable. Or ce qui me traverse résiste à cette opération. Il déborde. Il excède les cadres disponibles. Pour parler, je dois sans cesse traduire. Je dois chercher des équivalences ou, du moins, accepter des approximations qui me semblent infidèles.
Ce travail intérieur est constant. Il épuise. Ce qui parvient aux autres arrive diminué, parfois maladroit... Et même, le plus souvent, si ce n'est opaque, du moins compliqué... Le décalage devient visible. Mon silence est interprété comme un vide. Ma lenteur passe pour un manque. On croit que je ne saisis pas, alors que je saisis trop. On me voit rêveur, distrait, ailleurs, comme si j’étais retiré du monde, alors que je m’y trouve plongé sans filtre.

jeudi 29 janvier 2026

Displacement


“When I had not been born yet, when I had not yet closed my life into a loop and what was to become indelible had not yet begun to be inscribed; when I belonged to nothing that exists, when I was not even conceived, nor conceivable, when that chance made of infinitely minute precisions had not yet begun its action; when I was neither of the past, nor of the present, nor above all of the future; when I was not; when I could not be; a detail one could not perceive, a seed mingled with the seed, a simple possibility that a nothing was enough to divert from its path. Me, or others. Man, woman, or horse, or fir tree, or golden staphylococcus. When I was not even nothing, since I was not the negation of something, nor even an absence, nor even an imagination. When my seed wandered without form and without future, like all the other seeds in the immense night that did not come to fruition. When I was the one who is fed upon, and not the one who feeds, the one who composes, and not the one who is composed. I was not dead.”

Philippe Claudel, Monsieur Linh and His Child, Le Livre de Poche


Anatole’s Journal
Very young, like all children, I am already surrounded by words, and yet they remain distant from me. I was not yet writing, and the words I heard did not always say something to me. Writing does not come easily. It is born first of an obligation… and much later, of an excess. The world reaches me with a continuous intensity. Nothing stands out clearly. Everything arrives at once… at the same time… Everything vibrates deeply… immediately present. Things do not allow themselves to be isolated. They impose themselves as a compact whole, crossed by nuances that I perceive without being able to order them… and… perhaps, without wishing to.
What takes shape within me precedes formulated thought. These are powerful impressions, inner movements without stable contours. I feel before I can recognize. What I live is not confused, but too rich to enter immediately into a sentence. This is where the gap widens. I do not lack words. I lack a passage between what inhabits me and what can be said; a space remains open, difficult to cross.

Deslocamento


“Quando eu ainda não tinha nascido, quando ainda não havia fechado minha vida em círculo e aquilo que viria a ser indelével ainda não começara a ser inscrito; quando eu não pertencia a nada do que existe, quando não era sequer concebido, nem concebível; quando esse acaso feito de precisões infinitamente minúsculas ainda não havia iniciado sua ação; quando eu não era nem do passado, nem do presente, nem sobretudo do futuro; quando eu não era; quando eu não podia ser; detalhe imperceptível, semente confundida na semente, simples possibilidade que um nada bastava para desviar de seu curso. Eu, ou os outros. Homem, mulher, ou cavalo, ou pinheiro, ou estafilococo dourado. Quando eu não era sequer nada, pois não era a negação de alguma coisa, nem mesmo uma ausência, nem mesmo uma imaginação. Quando minha semente vagava sem forma e sem futuro, semelhante na imensa noite às outras sementes que não chegaram a frutificar. Quando eu era aquele de quem se alimentam, e não aquele que se alimenta, aquele que compõe, e não aquele que é composto. Eu não estava morto.”

Philippe Claudel, A Pequena Menina do Senhor Linh, Le Livre de Poche


Caderno de Anatole

 Muito jovem, como todas as crianças, já estou cercado de palavras, e no entanto elas permanecem distantes de mim. Eu ainda não escrevia, e as palavras que ouvia nem sempre me diziam algo. A escrita não vem com facilidade. Ela nasce primeiro de uma obrigação… depois, muito mais tarde, de um excesso. O mundo me alcança com uma intensidade contínua. Nada se destaca claramente. Tudo chega junto… ao mesmo tempo… Tudo vibra profundamente… imediatamente presente. As coisas não se deixam isolar. Elas se impõem como um conjunto compacto, atravessado por nuances que percebo sem conseguir ordená-las… e… talvez, sem o querer…

O que se forma em mim precede o pensamento formulado. São impressões poderosas, movimentos interiores sem contornos estáveis. Eu sinto antes de poder reconhecer. O que vivo não é confuso, mas rico demais para entrar, de imediato, numa frase. É aí que o descompasso se aprofunda. Não me faltam palavras. Falta-me uma passagem entre o que me habita e o que pode ser dito; um espaço permanece aberto, difícil de atravessar.



Décalage

« Quand je n'étais pas né, quand je n'avais pas encore refermé ma vie en boucle et que ce qui allait être ineffaçable n'avait pas encore commencé d'être inscrit; quand je n'appartenais à rien de ce qui existe, que je n'étais pas même conçu, ni concevable, que ce hasard fait de précisions infiniment minuscules n'avait pas même entamé son action; quand je n'étais ni du passé, ni du présent. ni surtout du futur; quand je n'étais pas; quand je ne pouvais pas être; détail qu'on ne pouvait pas apercevoir, graine confondue dans la graine, simple possibilité qu'un rien suffisait à faire dévier de sa route. Moi, ou les autres. Homme, femme, ou cheval, ou sapin, ou staphylocoque doré. Quand je n'étais pas même rien, puisque je n'étais pas la négation de quelque chose, ni même une absence, ni même une imagination. Quand ma semence errait sans forme et sans avenir, pareille dans l'immense nuit aux autres semences qui n'ont pas abouti. Quand j'étais celui dont on se nourrit, et non pas celui qui se nourrit, celui qui compose, et non pas celui qui est composé. Je n'étais pas mort.»

Philippe Claudel, La petite fille de Monsieur Linh, Le livre de poche 

 


 Journal d'Anatole
 
Très jeune, comme tous les enfants je suis déjà entouré de mots, et pourtant ils me restent lointains. Je n'écrivais pas encore et les mots que j'entendais ne me disaient pas tous quelque chose... L’écriture ne vient pas avec facilité. Elle naît d'abord d'une obligation... puis, beaucoup plus tard, d’un trop-plein. Le monde m’atteint avec une intensité continue. Rien ne se détache nettement. Tout arrive ensemble… dans un même temps… Tout vibre profondément… immédiatement présent. Les choses ne se laissent pas isoler. Elles s’imposent comme un ensemble compact, traversé de nuances que je perçois sans pouvoir les ordonner… et… peut-être, sans le vouloir…
Ce qui se forme en moi précède la pensée formulée. Ce sont des impressions puissantes, des mouvements intérieurs sans contours stables. Je ressens avant de pouvoir reconnaître. Ce que je vis n’est pas confus, mais trop riche pour entrer d’emblée dans une phrase. Le décalage se creuse là. Je ne manque pas de mots. Je manque d’un passage entre ce qui m’habite et ce qui peut se dire, un espace demeure ouvert, difficile à franchir.

 

mercredi 28 janvier 2026

Igniatius reveals himself

 

“The letters are in fact ghosts. One writes to ghosts, one receives ghosts. The written kiss never reaches its destination; it is the ghosts who drink it along the way. It is thanks to this abundance of ghosts that human beings invented the telephone. Spirits will not die, but human beings will. Writing letters is stripping oneself naked before ghosts, a thing for which they have an insatiable appetite. Written kisses, written thoughts, they suck them up on the road; what one wished to keep for oneself dissolves, and what arrives is no longer truly ours. Thus correspondence disturbs the soul; it deprives you of the possibility of being fully where you are, and places you in a state of continuous waiting, where one no longer truly lives, where one is no longer certain of what is acting within us.”
 
Franz Kafka, Letter to Milena, 1920 (Correspondence)
 
 
 
Dear Lucian,
 
I am writing to you without knowing exactly what I am trying to preserve through this letter, except perhaps the very possibility of continuing to recognize myself in what I write. Something has changed, not abruptly, but with that insidious slowness that renders every certainty suspect. I am no longer certain that I am merely playing, and this uncertainty worries me more than a more definite loss would have.
For a long time I believed myself to be an author in the most ordinary sense of the word. I invented figures, made them speak, move, respond to one another. I thought I held them at a distance, as one observes a mechanism whose spring one understands. Today I discover that this distance was only a somewhat artificial convenience. These characters are not foreign to me. They did not come to me from outside. They arose from a place I had never taken the trouble to examine.
I know, intellectually, what this means. I could tell you, with the appropriate words, that Don Carotte, Sang Chaud, Anatole are nothing but parts of myself. This formulation reassures me cheaply. It gives the illusion of mastered knowledge. But this knowledge does not reach me where it should. My body, for its part, knows nothing of it. It continues to act as if these figures had their own autonomy, as if I could encounter them without recognizing them.
 
Igniatius


Igniatius se revela

 

“As cartas são, na verdade, fantasmas. Escreve-se a fantasmas, recebem-se fantasmas. O beijo escrito nunca chega ao seu destino; são os fantasmas que o bebem pelo caminho. É graças a essa abundância de fantasmas que os homens inventaram o telefone. Os espíritos não morrerão, mas os homens sim. Escrever cartas é despir-se diante de fantasmas, coisa pela qual eles têm uma avidez insaciável. Os beijos escritos, os pensamentos escritos, eles os absorvem no trajeto; aquilo que se queria guardar para si se dissolve, e o que chega já não é mais nosso. Assim, a correspondência perturba a alma, priva-nos da possibilidade de estar plenamente onde estamos e nos coloca num estado de espera contínua, em que já não se vive de fato, em que já não se tem certeza do que age dentro de nós.”
 
Franz Kafka, Carta a Milena, 1920 (Correspondência)
 
 
 
Caro Lucian,
 
Escrevo-lhe sem saber exatamente o que procuro preservar com esta carta, senão a própria possibilidade de continuar a reconhecer-me naquilo que escrevo. Algo mudou, não de modo brusco, mas com aquela lentidão insidiosa que torna toda certeza suspeita. Já não tenho certeza de que estou apenas representando, e essa incerteza me inquieta mais do que uma perda mais clara o faria.
Durante muito tempo acreditei ser um autor no sentido mais comum do termo. Eu inventava figuras, fazia-as falar, mover-se, responder umas às outras. Pensava mantê-las à distância, como se observa um mecanismo cujo funcionamento se conhece. Hoje descubro que essa distância era apenas uma conveniência algo artificial. Esses personagens não me são estranhos. Não vieram a mim do exterior. Eles se ergueram a partir de um lugar que eu nunca me dei ao trabalho de examinar.
Sei, intelectualmente, o que isso significa. Eu poderia dizer-lhe, com as palavras adequadas, que Don Carotte, Sang Chaud, Anatole não passam de partes de mim mesmo. Essa formulação me tranquiliza com pouco esforço. Ela dá a ilusão de um saber dominado. Mas esse saber não me alcança onde deveria. O meu corpo, por sua vez, nada sabe disso. Ele continua a agir como se essas figuras tivessem uma autonomia própria, como se eu pudesse encontrá-las sem reconhecê-las.
Igniatius

Igniatius se dévoile

 
« Les lettres sont en réalité des fantômes. On écrit à des fantômes, on reçoit des fantômes. Le baiser écrit ne parvient jamais à destination, ce sont les fantômes qui le boivent en chemin. C’est grâce à cette abondance de fantômes que les hommes se sont inventé le téléphone. Les esprits ne mourront pas, mais les hommes oui. Écrire des lettres, c’est se dénuder devant des fantômes, chose pour laquelle ils ont une avidité insatiable. Les baisers écrits, les pensées écrites, ils les aspirent sur la route; ce que l’on voulait garder pour soi se dissout, et ce qui arrive n’est déjà plus à nous. Ainsi la correspondance trouble l’âme, elle vous enlève la possibilité d’être pleinement là où vous êtes, et elle vous met dans un état d’attente continu, où l’on ne vit plus vraiment, où l’on n’est plus certain de ce qui agit en nous.»
 
Franz Kafka, Lettre à Milena, 1920 (Correspondance) 



 
 Cher Lucian,
 
Je vous écris sans savoir exactement ce que je cherche à préserver par cette lettre, sinon la possibilité même de continuer à me reconnaître dans ce que j’écris. Quelque chose a changé, non pas brutalement, mais avec cette lenteur insidieuse qui rend toute certitude suspecte. Je ne suis plus certain de jouer, et cette incertitude m’inquiète davantage que ne l’aurait fait une perte plus franche.
J’ai longtemps cru être un auteur au sens le plus ordinaire du terme. J’inventais des figures, je les faisais parler, se déplacer, se répondre. Je pensais les tenir à distance, comme on observe un mécanisme dont on connaît le ressort. Or je découvre aujourd’hui que cette distance n’était qu’une convenance quelque peu artificielle. Ces personnages ne me sont pas étrangers. Ils ne sont pas venus à moi de l’extérieur. Ils se sont levés depuis un lieu que je n’avais jamais pris la peine d’examiner.
Je sais, intellectuellement, ce que cela signifie. Je pourrais vous dire, avec les mots qu’il faut, que Don Carotte, Sang Chaud, Anatole ne sont que des parts de moi-même. Cette formulation me rassure à peu de frais. Elle donne l’illusion d’un savoir maîtrisé. Mais ce savoir ne m’atteint pas là où il devrait. Mon corps, lui, n’en sait rien. Il continue d’agir comme si ces figures avaient leur autonomie propre, comme si je pouvais les rencontrer sans les reconnaître.

Igniatius


mardi 27 janvier 2026

Disarray


The characters in my stories are not inventions; they are observations. They frighten me because they live, because they persist, because they know more than I do. When I write, I am not the one who arranges things, but the one who listens. What is written is not what I wanted to write. Often, I understand too late what the sentence has decided in my place. At times I recognize in these figures a logic I have never consciously lived, yet which belongs to me more intimately than my everyday thoughts. They act as if they were autonomous, and yet I feel that I gave birth to them without knowing it. This paradox exhausts me. Writing means exposing oneself to being surpassed by what one produces. I cannot say that these figures are ‘me.’ That explanation is too simple and too convenient. But I cannot say either that they are foreign to me. They stand in a zone where I am neither master nor absent.”

Journals of Franz Kafka, translated by Marthe Robert, Gallimard


Igniatius feels that something within him has changed. He is lost in the role-play unfolding inside himself. He no longer understands anything… except that he is no longer merely an author who invents characters. He is the one who discovers that those he considered his characters are not strangers. They are nothing other than parts of himself which, if they know themselves as “invented” characters, do not yet know themselves from within Igniatius. To be clearer: Igniatius, when he is Don Carotte, knows him only as the companion of Sang Chaud (who has himself become Don Carotte), and he knows Anatole only as what Don Carotte has become. He now knows intellectually that each of them is, in his own way, a part of himself… but his body knows nothing of it and yet it acts. This is why he writes to Lucian to share his anxiety and his disarray…

Dear Lucian,
I am writing to you without knowing exactly what I am trying to preserve through this letter, aside from the obscure backstage of my brain—unless it is the very possibility of continuing to recognize myself in what I write. Something has changed, not abruptly, but with that insidious slowness that makes every certainty suspect. Something has crossed a threshold. I am no longer sure that I am playing, and this uncertainty troubles me more than a more definite loss would have done. Everything seems in its place, yet the very evidence of the world no longer coincides with the experience I am living.
For a long time I believed myself to be an author in the most ordinary sense of the term. I invented figures, I made them speak. I thought I kept them at a distance, like observing a mechanism whose spring one understands. Today I discover that this distance was merely a convenience. These characters are not foreign to me. They did not come to me from the outside. They arose from a place I had never taken the trouble to examine.
I know, intellectually, what this means. I could tell you, with the appropriate words, that Don Carotte, Sang Chaud, Anatole are only parts of myself. This formulation reassures me cheaply. It gives the illusion of mastered knowledge. But this knowledge does not reach me where it should. My body, for its part, knows nothing of it. It continues to act as if these figures had their own autonomy, as if I could encounter them without recognizing them.
When I am Don Carotte, I know him only in his relation to Sang Chaud. I do not perceive him as what he is within me, but as a companion, almost a witness. Anatole, for his part, appears to me only as what Don Carotte has become, never as what moves within me under this new name. Everything happens as if these parts knew one another, spoke, analyzed one another, without ever giving me access to their point of origin.
This discrepancy frightens me more than I wish to admit. I discover a discord between what I understand and what occurs. I can name. I can explain. But meanwhile something acts without consulting me. These are not foreign voices, nor autonomous characters in the dramatic sense of the words. It is more troubling. It is me, without being me as I know myself.
I feel caught in a role-play whose rules I have lost. I recognize the masks, I know where they come from, but I can no longer voluntarily put them down. They do not invade me. They move within me according to a logic that escapes me, and it is precisely this absence of manifest violence that disarms me.
I am writing to you because I fear confusing lucidity with resignation. I could accommodate myself to this situation, give it an acceptable form, integrate it into my authorial discourse. But something in me resists this elegance. I feel that if I continue like this without speaking of it, I risk taking refuge in a justification that would mask my real disarray.
I am not asking you to tell me who I am in all this. I am only asking you to help me understand how to live with this discrepancy between what I know and what I do, between what I name and what acts. I have the feeling that these characters know me better than I know myself, and this thought, as you can imagine, does not leave me at peace.
Receive this letter as the sign of an anxiety I can no longer keep at a distance, and as proof that I no longer know very well where the one who writes begins.
With a sincerity that no longer hides itself,
Igniatius

Desorientação



 “Os personagens dos meus relatos não são invenções, são constatações. Eles me assustam porque vivem, porque persistem, porque sabem mais coisas do que eu. Quando escrevo, não sou aquele que dispõe, mas aquele que escuta. O que se escreve não é o que eu queria escrever. Muitas vezes compreendo tarde demais o que a frase decidiu em meu lugar. Por vezes reconheço nessas figuras uma lógica que nunca vivi conscientemente, mas que me pertence de modo mais íntimo do que meus pensamentos cotidianos. Elas agem como se fossem autônomas e, no entanto, sinto que lhes dei nascimento sem o saber. Esse paradoxo me esgota. Escrever significa expor-se a ser ultrapassado pelo que se produz. Não posso dizer que essas figuras sejam ‘eu’. Essa explicação é simples demais e confortável demais. Mas tampouco posso dizer que me sejam estranhas. Elas se mantêm numa zona onde não sou nem mestre nem ausente.”

Diários de Franz Kafka, tradução de Marthe Robert, Gallimard



Igniatius sente que algo nele mudou. Ele está perdido no jogo de papéis que se desenrola dentro de si mesmo. Já não entende nada… exceto que não é mais apenas um autor que inventa personagens. Ele é aquele que descobre que aqueles que considerava seus personagens não são estranhos. Eles não são nada além de partes de si mesmo que, se se reconhecem como personagens “inventados”, ainda não se conhecem por dentro de Igniatius. Para ser mais claro: Igniatius, quando é Don Carotte, conhece-o apenas como companheiro de Sang Chaud (que por sua vez se tornou Don Carotte) e conhece Anatole apenas como aquilo em que Don Carotte se tornou. Ele sabe agora, intelectualmente, que cada um deles é, à sua maneira, uma parte de si mesmo… mas seu corpo nada sabe disso e, ainda assim, age. É por isso que escreve a Lucian para lhe comunicar sua inquietação e seu desamparo…

Caro Lucian,
Escrevo-lhe sem saber exatamente o que procuro preservar com esta carta, apesar dos obscuros bastidores do meu cérebro, a não ser talvez a própria possibilidade de continuar a me reconhecer no que escrevo. Algo mudou, não de forma brusca, mas com essa lentidão insidiosa que torna toda certeza suspeita. Algo atravessou um limiar. Já não tenho certeza de estar jogando, e essa incerteza me inquieta mais do que teria inquietado uma perda mais nítida. Tudo parece estar em seu lugar, mas a própria evidência do mundo já não coincide com a experiência que vivo.
Durante muito tempo acreditei ser um autor no sentido mais comum do termo. Eu inventava figuras, fazia-as falar. Pensava mantê-las à distância, como quem observa um mecanismo cujo funcionamento conhece. Hoje descubro que essa distância era apenas uma convenção. Esses personagens não me são estranhos. Não vieram a mim do exterior. Eles se ergueram a partir de um lugar que eu nunca me dei ao trabalho de examinar.
Sei, intelectualmente, o que isso significa. Poderia dizer-lhe, com as palavras adequadas, que Don Carotte, Sang Chaud, Anatole não são mais do que partes de mim mesmo. Essa formulação me tranquiliza a baixo custo. Dá a ilusão de um saber dominado. Mas esse saber não me alcança onde deveria. Meu corpo, por sua vez, nada sabe disso. Ele continua a agir como se essas figuras tivessem autonomia própria, como se eu pudesse encontrá-las sem reconhecê-las.
Quando sou Don Carotte, conheço-o apenas em sua relação com Sang Chaud. Não o percebo como aquilo que ele é em mim, mas como um companheiro, quase uma testemunha. Anatole, por sua vez, aparece-me apenas como aquilo em que Don Carotte se tornou, nunca como o que se desloca em mim sob esse novo nome. Tudo se passa como se essas partes se conhecessem entre si, falassem, se analisassem, sem jamais me dar acesso ao seu ponto de origem.
Esse descompasso me assusta mais do que quero admitir. Descubro uma discordância entre o que compreendo e o que acontece. Posso nomear. Posso explicar. Mas, ao mesmo tempo, algo age sem me consultar. Não são vozes estranhas, nem personagens autônomos no sentido dramático dessas palavras. É mais turvo. Sou eu, sem ser eu tal como me conheço.
Sinto-me preso a um jogo de papéis cujas regras perdi. Reconheço as máscaras, sei de onde vêm, mas já não consigo depô-las voluntariamente. Elas não me invadem. Movem-se em mim segundo uma lógica que me escapa, e é precisamente essa ausência de violência manifesta que me desarma.
Escrevo-lhe porque temo confundir lucidez com resignação. Eu poderia acomodar-me a essa situação, dar-lhe uma forma aceitável, integrá-la ao meu discurso de autor. Mas algo em mim resiste a essa elegância. Sinto que, se continuar assim sem falar disso, corro o risco de me refugiar numa justificativa que mascararia meu verdadeiro desamparo.
Não lhe peço que me diga quem sou em tudo isso. Peço apenas que me ajude a compreender como viver com esse descompasso entre o que sei e o que faço, entre o que nomeio e o que age. Tenho a sensação de que esses personagens me conhecem melhor do que eu me conheço, e esse pensamento, como pode imaginar, não me deixa em paz.
Receba esta carta como o sinal de uma inquietação que já não consigo manter à distância e como a prova de que já não sei muito bem onde começa aquele que escreve.
Com uma sinceridade que já não se dissimula,
Igniatius


Désarroi

 

 

« Les personnages de mes récits ne sont pas des inventions, ils sont des constats. Ils me font peur parce qu’ils vivent, parce qu’ils persistent, parce qu’ils savent plus de choses que moi. Quand j’écris, je ne suis pas celui qui dispose, mais celui qui écoute. Ce qui s’écrit n’est pas ce que je voulais écrire. Souvent, je comprends trop tard ce que la phrase a décidé à ma place. Il arrive que je reconnaisse dans ces figures une logique que je n’ai jamais vécue consciemment, mais qui m’appartient pourtant plus intimement que mes pensées quotidiennes. Elles agissent comme si elles étaient autonomes, et cependant je sens que je leur ai donné naissance sans le savoir. Ce paradoxe m’épuise. Écrire signifie s’exposer à être dépassé par ce que l’on produit. Je ne peux pas dire que ces figures soient “moi”. Cette explication est trop simple et trop commode. Mais je ne peux pas non plus dire qu’elles me soient étrangères. Elles se tiennent dans une zone où je ne suis ni maître, ni absent.»
 
Journaux de Franz Kafka, traduit par Marthe Robert, Gallimard 



 

Igniatius sent que quelque chose en lui a changé. Il est perdu dans le jeu de rôle qui se déroule en lui-même. Il n’y comprend plus rien… excepté qu’il n’est plus seulement un auteur qui invente des personnages… Il est celui qui découvre que ceux qu'il considérait comme ses personnages ne sont point des étrangers... Ils ne sont rien d'autre que des parts de lui-même qui, s'ils se connaissent en tant que personnages "inventés" ne se connaissent pas encore à "l'intérieur" d'Igniatius. Pour être plus clair, Igniatius, quand il est Don Carotte, ne le connait que comme compagnon de Sang Chaud (lui-même devenu Don Carotte) et il ne connait Anatole que comme celui qu'est devenu Don Carotte. Il sait maintenant intellectuellement qu'ils sont, chacun pour soi, comme une part de lui-même... mais son corps ne sait rien et pourtant il agit. C'est pourquoi il écrit à Lucian pour lui faire part de son inquiétude et de son désarroi...
 
 
Cher Lucian,
Je vous écris sans savoir exactement ce que je cherche à préserver par cette lettre, nonobstant les obscures coulisses de mon cerveau, sinon la possibilité même de continuer à me reconnaître dans ce que j’écris. Quelque chose a changé, non pas brutalement, mais avec cette lenteur insidieuse qui rend toute certitude suspecte. Quelque chose en a franchi le seuil. Je ne suis plus certain de jouer, et cette incertitude m’inquiète davantage que ne l’aurait fait une perte plus franche. Tout me semble à sa place, mais l’évidence même du monde ne coïncide plus avec l’expérience que je vis.
J’ai longtemps cru être un auteur au sens le plus ordinaire du terme. J’inventais des figures, je les faisais parler. Je pensais les tenir à distance, comme on observe un mécanisme dont on connaît le ressort. Or je découvre aujourd’hui que cette distance n’était qu’une convenance. Ces personnages ne me sont pas étrangers. Ils ne sont pas venus à moi de l’extérieur. Ils se sont levés depuis un lieu que je n’avais jamais pris la peine d’examiner.
Je sais, intellectuellement, ce que cela signifie. Je pourrais vous dire, avec les mots qu’il faut, que Don Carotte, Sang Chaud, Anatole ne sont que des parts de moi-même. Cette formulation me rassure à peu de frais. Elle donne l’illusion d’un savoir maîtrisé. Mais ce savoir ne m’atteint pas là où il devrait. Mon corps, lui, n’en sait rien. Il continue d’agir comme si ces figures avaient leur autonomie propre, comme si je pouvais les rencontrer sans les reconnaître.
Lorsque je suis Don Carotte, je ne le connais que dans sa relation à Sang Chaud. Je ne le perçois pas comme ce qu’il est en moi, mais comme un compagnon, presque un témoin. Anatole, de son côté, ne m’apparaît que comme celui qu’est devenu Don Carotte, jamais comme ce qui se déplace en moi sous ce nom nouveau. Tout se passe comme si ces parts se connaissaient entre elles, parlaient, s’analysaient, sans jamais me donner accès à leur point d’origine.
Ce décalage m’effraie plus que je ne veux l’admettre. Je découvre une discordance entre ce que je comprends et ce qui se produit. Je peux nommer. Je peux expliquer. Mais pendant ce temps, quelque chose agit sans me consulter. Ce ne sont pas des voix étrangères, ni des personnages autonomes au sens dramatique que l’on donne à ces mots. C’est plus trouble. C’est moi, sans être moi tel que je me connais.
Je me sens pris dans un jeu de rôles dont j’ai perdu la règle. Je reconnais les masques, je sais d’où ils viennent, mais je ne parviens plus à les déposer volontairement. Ils ne m’envahissent pas. Ils se déplacent en moi avec une logique qui m’échappe, et c’est précisément cette absence de violence manifeste qui me désarme.
Je vous écris parce que je crains de confondre lucidité et résignation. Je pourrais m’accommoder de cette situation, lui donner une forme acceptable, l’intégrer à mon discours d’auteur. Mais quelque chose résiste en moi à cette élégance. Je sens que si je continue ainsi sans en parler, je risque de me réfugier dans une justification qui masquerait mon désarroi réel.
Je ne vous demande pas de me dire qui je suis dans tout cela. Je vous demande seulement de m’aider à comprendre comment vivre avec ce décalage entre ce que je sais et ce que je fais, entre ce que je nomme et ce qui agit. J’ai le sentiment que ces personnages me connaissent mieux que je ne me connais moi-même, et cette pensée, vous l’imaginez, ne me laisse pas en paix.
Recevez cette lettre comme le signe d’une inquiétude que je ne parviens plus à tenir à distance, et comme la preuve que je ne sais plus très bien où commence celui qui écrit.
Avec une sincérité qui ne se dissimule plus,
 
Igniatius
 
 
 

lundi 26 janvier 2026

Suddenly


“When I dance, I dance; when I sleep, I sleep; even when I walk alone in a fine orchard, if my thoughts have for a time busied themselves with matters foreign to it, I bring them back to the walk, to the orchard, to the sweetness of that solitude, and to myself. Our great and glorious masterpiece is to live appropriately. All the rest—reigning, hoarding, building—are but small appendages and aids, at most.”
Montaigne, Essays


Anatole’s notebook

A question suddenly arises, like a wave in the mind. It appears and settles.
Will I truly think something new?
This question points toward a source of human experience still unknown. I leave it open, alive. It vibrates like a gentle, deliberate tension. Yet the way it appears is familiar to me: the question already carries within it the movement it wishes to go beyond.
So I turn my attention to the movement of thought. I see how one thought calls forth another, how one image draws another image along. I observe how a memory slips toward an expectation. Nothing arises from nowhere. To invent, here, is to recombine. Even rupture remains a variation within the same inner landscape. Thought functions through automatisms; it links itself before experience has fully given itself.
Gradually, an understanding settles in.
Seeking a new thought is still part of the game of thought. The past pushes toward a future dreamed free, and this movement, like water in a closed space, swirls and circles, vainly trying to escape.
Then something changes, not within thought itself, but in the way I relate to it.
The expectation of a revelation loosens. Thought becomes visible as a current: its repetitions and its ruses appear clearly as a marked path. A simple attention settles in, without aim, turned toward what shows itself. And in this bare attention, something unexpected is given.
At times, thinking stops on its own. There is nothing to add, nothing to comment on. The situation is fully there. A quiet presence fills the space. Experience unfolds without a center, without a narrator. The world gives itself directly, without the effort to understand. As if thinking were no longer necessary.
Then an obviousness appears. True novelty is not born from thought. It arises when thought withdraws. It is brief, fragile, like the light of dawn—the light that already dwells in my name, Anatole. A pure instant, before any interpretation.
In this instant, the person seeking to surpass himself disappears. There remains a consciousness that sees, at a distance, the conditioning at work, without confusing itself with it. Certainly, conditioning is still there, but its power has changed: it becomes a tool, not a master.
The answer to the initial question is then revealed, not as an idea, but as a lived evidence.
An absolutely new thought does not exist. But another possibility opens: seeing. Seeing without the weight of the past, without projecting the future. In this seeing, I efface myself for a moment. There remains only an impersonal clarity… an opening. And this opening endures, so long as one does not try to grasp it. For trying to fix it would bring back the old reflexes. A new and stable understanding then settles in: freedom is not the absence of conditioning, but the capacity to pass through it lucidly, at the very moment it appears.
A discreet, vibrant, fragile freedom, just at the threshold of experience.


Português
“Quando danço, danço; quando durmo, durmo; e mesmo quando passeio sozinho num belo pomar, se por algum tempo meus pensamentos se ocuparam de assuntos alheios, eu os trago de volta ao passeio, ao pomar, à doçura dessa solidão e a mim mesmo. Nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito. Todo o resto—reinar, entesourar, construir—não passa de pequenos apêndices e auxílios, quando muito.”
Montaigne, Ensaios
Caderno de Anatole
Uma pergunta surge de repente, como uma onda no espírito. Ela aparece e se instala.
Pensarei realmente algo novo?
Essa pergunta aponta para uma fonte ainda desconhecida da experiência humana. Eu a deixo aberta, viva. Ela vibra como uma tensão suave, voluntária. No entanto, sua forma de aparecer me é familiar: a pergunta já traz em si o movimento que gostaria de ultrapassar.
Então volto minha atenção para o movimento do pensamento. Vejo como um pensamento chama outro, como uma imagem arrasta outra imagem. Observo como uma lembrança desliza para uma expectativa. Nada surge do nada. Inventar, aqui, é recompor. Até a ruptura permanece uma variação do mesmo paisagem interior. O pensamento funciona por automatismos; ele se encadeia antes mesmo de a experiência se oferecer plenamente.
Pouco a pouco, uma compreensão se instala.
Buscar um pensamento novo ainda faz parte do jogo do pensamento. O passado empurra em direção a um futuro sonhado como livre, e esse movimento, como a água num espaço fechado, gira e gira, tentando em vão escapar.
Algo então muda, não no próprio pensamento, mas na maneira de se relacionar com ele.
A expectativa de uma revelação se afrouxa. O pensamento torna-se visível como uma corrente: suas repetições e suas astúcias aparecem claramente como um caminho marcado. Uma atenção simples se instala, sem objetivo, voltada para o que se mostra. E nessa atenção nua, algo inesperado se dá.
Por momentos, pensar se interrompe por si mesmo. Não há nada a acrescentar, nada a comentar. A situação está plenamente presente. Uma presença tranquila preenche o espaço. A experiência se desdobra sem centro, sem narrador. O mundo se oferece diretamente, sem o esforço de compreender. Como se pensar já não fosse necessário.
Então surge uma evidência. A verdadeira novidade não nasce do pensamento. Ela surge quando o pensamento se retira. É breve, frágil, como a luz da aurora—essa luz que já habita meu nome, Anatole. Um instante puro, antes de qualquer interpretação.
Nesse instante, a pessoa que busca se superar desaparece. Resta uma consciência que vê, à distância, o condicionamento em ação, sem se confundir com ele. Certamente, o condicionamento ainda está ali, mas seu poder mudou: torna-se uma ferramenta, não um mestre.
A resposta à pergunta inicial se revela então, não como uma ideia, mas como uma evidência vivida.
Um pensamento absolutamente novo não existe. Mas outra possibilidade se abre: ver. Ver sem o peso do passado, sem projetar o futuro. Nesse olhar, eu me apago por um instante. Resta apenas uma clareza impessoal… uma abertura. E essa abertura permanece, enquanto não se tenta capturá-la. Pois querer fixá-la faria retornar os antigos reflexos. Uma compreensão nova e estável então se instala: a liberdade não é a ausência de condicionamento, mas a capacidade de atravessá-lo lucidament e, no exato momento em que ele aparece.
Uma liberdade discreta, vibrante, frágil, justo no limiar da experiência.


Subitamente


“Quando danço, danço; quando durmo, durmo; e mesmo quando passeio sozinho num belo pomar, se por algum tempo meus pensamentos se ocuparam de assuntos alheios, eu os trago de volta ao passeio, ao pomar, à doçura dessa solidão e a mim mesmo. Nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito. Todo o resto—reinar, entesourar, construir—não passa de pequenos apêndices e auxílios, quando muito.”

Montaigne, Ensaios



Caderno de Anatole

Uma pergunta surge de repente, como uma onda no espírito. Ela aparece e se instala.
Pensarei realmente algo novo?
Essa pergunta aponta para uma fonte ainda desconhecida da experiência humana. Eu a deixo aberta, viva. Ela vibra como uma tensão suave, voluntária. No entanto, sua forma de aparecer me é familiar: a pergunta já traz em si o movimento que gostaria de ultrapassar.
Então volto minha atenção para o movimento do pensamento. Vejo como um pensamento chama outro, como uma imagem arrasta outra imagem. Observo como uma lembrança desliza para uma expectativa. Nada surge do nada. Inventar, aqui, é recompor. Até a ruptura permanece uma variação do mesmo paisagem interior. O pensamento funciona por automatismos; ele se encadeia antes mesmo de a experiência se oferecer plenamente.
Pouco a pouco, uma compreensão se instala.
Buscar um pensamento novo ainda faz parte do jogo do pensamento. O passado empurra em direção a um futuro sonhado como livre, e esse movimento, como a água num espaço fechado, gira e gira, tentando em vão escapar.
Algo então muda, não no próprio pensamento, mas na maneira de se relacionar com ele.
A expectativa de uma revelação se afrouxa. O pensamento torna-se visível como uma corrente: suas repetições e suas astúcias aparecem claramente como um caminho marcado. Uma atenção simples se instala, sem objetivo, voltada para o que se mostra. E nessa atenção nua, algo inesperado se dá.
Por momentos, pensar se interrompe por si mesmo. Não há nada a acrescentar, nada a comentar. A situação está plenamente presente. Uma presença tranquila preenche o espaço. A experiência se desdobra sem centro, sem narrador. O mundo se oferece diretamente, sem o esforço de compreender. Como se pensar já não fosse necessário.
Então surge uma evidência. A verdadeira novidade não nasce do pensamento. Ela surge quando o pensamento se retira. É breve, frágil, como a luz da aurora—essa luz que já habita meu nome, Anatole. Um instante puro, antes de qualquer interpretação.
Nesse instante, a pessoa que busca se superar desaparece. Resta uma consciência que vê, à distância, o condicionamento em ação, sem se confundir com ele. Certamente, o condicionamento ainda está ali, mas seu poder mudou: torna-se uma ferramenta, não um mestre.
A resposta à pergunta inicial se revela então, não como uma ideia, mas como uma evidência vivida.
Um pensamento absolutamente novo não existe. Mas outra possibilidade se abre: ver. Ver sem o peso do passado, sem projetar o futuro. Nesse olhar, eu me apago por um instante. Resta apenas uma clareza impessoal… uma abertura. E essa abertura permanece, enquanto não se tenta capturá-la. Pois querer fixá-la faria retornar os antigos reflexos. Uma compreensão nova e estável então se instala: a liberdade não é a ausência de condicionamento, mas a capacidade de atravessá-lo lucidament e, no exato momento em que ele aparece.
Uma liberdade discreta, vibrante, frágil, justo no limiar da experiência.


Soudainement


 « Quand je danse, je danse ; quand je dors, je dors; voire, et quand je me promène solitairement en un beau verger, si mes pensées se sont entretenues d’affaires étrangères pour un temps, je les ramène à la promenade, au verger, à la douceur de cette solitude, et à moi. Notre grand et glorieux chef-d’œuvre, c’est vivre à propos. Tout le reste, régner, thésauriser, bâtir, n’est que petits appendices et secours, pour le plus.»

Montaigne, Essais

 

 
Carnet d’Anatole

Une question surgit soudain, comme une vague dans l’esprit. Elle apparaît et s’installe.
Vais-je vraiment penser quelque chose de neuf ?
Cette question pointe vers une source encore inconnue de l’expérience humaine. Je la laisse ouverte, vivante. Elle vibre comme une tension douce, volontaire. Sa manière d’apparaître m’est pourtant familière: la question porte déjà en elle le mouvement qu’elle voudrait dépasser.
Alors, je porte mon attention sur le mouvement de la pensée. Je vois comment une pensée en appelle une autre, comment une image entraîne une image. J’observe comment un souvenir glisse vers une attente. Rien ne surgit de nulle part. Inventer, ici, c’est recomposer. Même la rupture reste une variation du même paysage intérieur. La pensée fonctionne par automatismes; elle s’enchaîne avant même que l’expérience ne se donne pleinement.
Peu à peu, une compréhension s’installe.
Chercher une pensée nouvelle fait encore partie du jeu de la pensée. Le passé pousse vers un futur rêvé libre, et ce mouvement, comme l’eau en un espace clos tourbillonne et tourne en rond, tentant vainement de s’échapper.
Quelque chose change alors, non dans la pensée elle-même, mais dans la manière de s’y rapporter.
L’attente d’une révélation se relâche. La pensée devient visible comme un courant: ses répétitions et ses ruses apparaissent clairement comme un chemin balisé. Une attention simple s’installe, sans but, tournée vers ce qui se montre. Et dans cette attention nue, quelque chose d’inattendu se donne.
Par moments, penser s’arrête tout seul. Il n’y a rien à ajouter, rien à commenter. La situation est pleinement là. Une présence tranquille remplit l’espace. L’expérience se déploie sans centre, sans narrateur. Le monde se donne directement, sans l’effort de comprendre. Comme si penser n’était plus nécessaire.
Alors une évidence apparaît. La vraie nouveauté ne naît pas de la pensée. Elle surgit quand la pensée se retire. Elle est brève, fragile, comme la lumière de l’aube, cette lumière qui habite déjà mon nom, Anatole. Un instant pur, avant toute interprétation.
Dans cet instant, la personne qui cherche à se dépasser disparaît. Il reste une conscience qui voit à distance le conditionnement à l’œuvre, sans s’y confondre. Certes, le conditionnement est toujours là, mais son pouvoir a changé: il devient un outil, non un maître.
La réponse à la question initiale se révèle alors, non comme une idée, mais comme une évidence vécue.
Une pensée absolument neuve n’existe pas. Mais une autre possibilité s’ouvre: voir. Voir sans le poids du passé, sans projeter l’avenir. Dans ce regard, je m’efface un instant. Il ne reste qu’une clarté impersonnelle… une ouverture. Et cette ouverture demeure, tant qu’on ne cherche pas à la saisir. Car vouloir la fixer ferait revenir les anciens réflexes. Une compréhension nouvelle et stable s’installe alors: la liberté n’est pas l’absence de conditionnement, mais la capacité de le traverser lucidement, au moment même où il apparaît.
Une liberté discrète, vibrante, fragile, juste au seuil de l’expérience.
 

dimanche 25 janvier 2026

 
“We never keep to the present time. We anticipate the future as too slow in coming, as if to hasten its course; or we recall the past in order to stop it as too swift: so imprudent are we that we wander in times that are not ours and do not think of the only one that belongs to us; and so vain that we think of those which are nothing and thoughtlessly let slip the only one that subsists. This is because the present usually hurts us. We hide it from our sight because it afflicts us; and if it is pleasant, we regret seeing it slip away. We try to support it by the future and think of arranging things that are not in our power for a time we have no assurance of reaching.
Let each person examine his thoughts: he will find them always occupied with the past or the future. We scarcely think of the present; and if we do think of it, it is only to draw light from it in order to arrange the future. The present is never our end; the past and the present are our means; the future alone is our end.
Thus we never live, but we hope to live; and always preparing to be happy, it is inevitable that we never are.”

Blaise Pascal, Pensées (Inconstancy fragment, Brunschvicg ed. 172 / Lafuma 47)




Anatole’s notebook

The question arises like a spontaneous apparition. It arrives without warning and immediately finds its place. Will I gain access to a truly new thought? A thought that goes beyond improvement and correction, a thought issuing from a still unexplored source within the field of possibilities. I let this question resonate within me and immediately perceive the subtle trap it carries. Its very form reproduces exactly what I am trying to go beyond.
I then examine more carefully what I call thinking. I observe in it a movement that takes its support from what is already known. One image leads to another. A memory extends into an expectation. Even invention proceeds by assemblage. The apparent rupture corresponds to a displacement within the same territory. Thought reveals itself to me as conditioned, not because it lacks value, but because of its automatic character. It operates effectively. It acts before fully welcoming what presents itself.
An understanding gradually settles in: to seek a new thought still belongs to the activity of thinking. The past projects itself toward a future imagined as free. This movement maintains the circle. Conditioning is preserved by the very effort meant to abolish it. The image of water becomes clear: wanting to pull oneself out by tugging at one’s reflection belongs to the same circular logic.
A transformation occurs elsewhere. It concerns the relationship to thought. I stop asking it for what lies beyond its domain. I stop entrusting it with the expectation of a revelation. I watch it pass. I observe its repetitions and its detours. I grant it an open attention, without intention. In this quality of looking, something unexpected appears.
Moments arise in which thought interrupts itself. This interruption happens naturally, carried by the obviousness of the instant. These moments fill with a quiet presence. A direct perception unfolds, without an inner voice to name it. It is not a new thought. It is the disappearance of the need to think.

 


“Nunca nos detemos no tempo presente. Antecipamos o futuro como demasiado lento a chegar, como para apressar o seu curso; ou evocamos o passado para o deter como demasiado rápido: tão imprudentes somos que erramos em tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos que pensamos nos que nada são e deixamos escapar, sem reflexão, o único que subsiste. É que o presente geralmente nos fere. Nós o ocultamos de nossa vista porque nos aflige; e, se nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar. Procuramos sustentá-lo pelo futuro e pensamos em dispor de coisas que não estão em nosso poder para um tempo ao qual não temos garantia de chegar.
Que cada um examine seus pensamentos: encontrá-los-á sempre ocupados com o passado ou com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, se nele pensamos, é apenas para tirar dele alguma luz a fim de dispor o futuro. O presente nunca é nosso fim; o passado e o presente são nossos meios; somente o futuro é nosso fim.
Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.”

Blaise Pascal, Pensées (fragmento Inconstância, ed. Brunschvicg 172 / Lafuma 47)


Caderno de Anatole
A pergunta surge como uma aparição espontânea. Chega sem anúncio e encontra imediatamente o seu lugar. Acessarei um pensamento verdadeiramente novo? Um pensamento que ultrapasse a melhoria e a correção, um pensamento oriundo de uma fonte ainda inexplorada do campo dos possíveis. Deixo essa pergunta vibrar em mim e percebo de imediato a armadilha sutil que ela contém. Sua forma reproduz exatamente aquilo que tento ultrapassar.
Examinando com mais atenção o que chamo de pensar, observo nele um movimento que se apoia no já conhecido. Uma imagem conduz a outra. Uma memória prolonga-se em expectativa. A própria invenção procede por montagem. A ruptura aparente corresponde a um deslocamento dentro de um mesmo território. O pensamento revela-se condicionado, não por falta de valor, mas por seu caráter automático. Ele opera com eficácia. Age antes de acolher plenamente o que se apresenta.
Uma compreensão se instala pouco a pouco: buscar um pensamento novo ainda pertence à atividade do pensar. O passado projeta-se em direção a um futuro imaginado como livre. Esse movimento mantém o círculo. O condicionamento se preserva pelo próprio esforço destinado a aboli-lo. A imagem da água torna-se clara: querer sair dela puxando o próprio reflexo pertence à mesma lógica circular.
Uma transformação ocorre em outro lugar. Diz respeito à relação com o pensamento. Deixo de lhe pedir o que ultrapassa seu domínio. Deixo de lhe confiar a expectativa de uma revelação. Eu o observo passar. Acompanho suas repetições e seus desvios. Concedo-lhe uma atenção aberta, sem intenção. Nessa qualidade de olhar, algo inesperado se manifesta.
Surgem instantes em que o pensamento se interrompe por si mesmo. Essa interrupção acontece naturalmente, sustentada pela evidência do instante. Esses momentos se preenchem de uma presença tranquila. Uma percepção direta se desdobra, sem voz interior para nomear. Não se trata de um pensamento novo. Trata-se do desaparecimento da necessidade de pensar.


 

 « Nous ne tenons jamais au temps présent. Nous anticipons l’avenir comme trop lent à venir, comme pour hâter son cours; ou nous rappelons le passé pour l’arrêter comme trop prompt: si imprudents que nous errons dans les temps qui ne sont point nôtres, et ne pensons point au seul qui nous appartient; et si vains que nous songeons à ceux qui ne sont rien, et échappons sans réflexion le seul qui subsiste. C’est que le présent d’ordinaire nous blesse. Nous le cachons à notre vue parce qu’il nous afflige; et s’il nous est agréable, nous regrettons de le voir échapper. Nous tâchons de le soutenir par l’avenir, et pensons à disposer des choses qui ne sont pas en notre puissance pour un temps où nous n’avons aucune assurance d’arriver.
Que chacun examine ses pensées: il les trouvera toujours occupées au passé ou à l’avenir. Nous ne pensons presque point au présent; et si nous y pensons, ce n’est que pour en prendre la lumière afin de disposer de l’avenir. Le présent n’est jamais notre fin; le passé et le présent sont nos moyens; le seul avenir est notre fin.
Ainsi nous ne vivons jamais, mais nous espérons de vivre; et nous disposant toujours à être heureux, il est inévitable que nous ne le soyons jamais.»
 
Blaise Pascal, Pensées (fragment Inconstance, éd. Brunschvicg 172 / Lafuma 47) 

 

 

Carnet d'Anatole
 

La question surgit comme une apparition spontanée. Elle arrive sans annonce et trouve immédiatement sa place. Vais-je accéder à une pensée véritablement neuve? Une pensée qui dépasse l’amélioration et la correction, une pensée issue d’une source encore inexplorée du champ des possibles. Je laisse cette question vibrer en moi et je perçois aussitôt le piège subtil qu’elle porte. Sa forme reproduit précisément ce que je tente de dépasser.

J’examine alors avec plus d’attention ce que je nomme penser. J’y observe un mouvement qui prend appui sur le connu. Une image entraîne une autre image. Une mémoire se prolonge en attente. L’invention elle-même procède par assemblage. La rupture apparente correspond à un déplacement à l’intérieur d’un même territoire. Cette pensée se révèle à mes yeux comme conditionnée, non par défaut de valeur, mais par son caractère automatique. Elle opère avec efficacité. Elle agit avant d’accueillir pleinement ce qui se présente.

Une compréhension s’installe peu à peu: chercher une pensée neuve relève encore de l’activité de penser. Le passé se projette vers un avenir imaginé comme libre. Ce mouvement entretient le cercle. Le conditionnement se maintient par l’effort même censé l’abolir. L’image de l’eau devient claire: vouloir s’en extraire en tirant sur son reflet appartient à la même logique circulaire.

Une transformation survient ailleurs. Elle concerne la relation à la pensée. Je cesse de lui demander ce qui dépasse son domaine. Je cesse de lui confier l’attente d’une révélation. Je la regarde passer. J’observe ses répétitions et ses détours. Je lui accorde une attention ouverte, sans intention. Dans cette qualité de regard, quelque chose d’inattendu se manifeste.

Des instants apparaissent où la pensée s’interrompt d’elle-même. Cette interruption advient naturellement, portée par l’évidence de l’instant. Ces moments se remplissent d’une présence tranquille. Une perception directe se déploie, sans voix intérieure pour nommer. Il ne s’agit pas d’une pensée neuve. Il s’agit de la disparition du besoin de penser.