vendredi 22 mai 2026

(77) A abracadabrante história da Criança Lua

 
  
Toda aparição digna desse nome conserva… projeta e partilha a sua parte de sombra…
 
 
Félix detém-se bruscamente.
 
O caderno permanece aberto entre as suas mãos, mas o seu olhar já não segue as linhas. Uma sombra… um pássaro… algo acaba de se deslocar violentamente no seu espírito. Uma incoerência. Não, mais do que uma incoerência: uma espécie de torção silenciosa do próprio espaço narrativo.
Recupera-se e recomeça a folhear febrilmente os cadernos de Lucian, depois os de Don Carotte. As datas flutuam. Certos fragmentos parecem responder uns aos outros à distância. Outros parecem escritos antes dos acontecimentos que descrevem. Até os próprios papagaios confundem por vezes as sequências quando as narram.
Por fim encontra a passagem que procurava.
É isso… a viagem iniciática de Don Carotte começava na clareira… sempre aquela clareira.
 

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