Toda aparição digna desse nome conserva… projeta e partilha a sua parte de sombra…

Félix detém-se bruscamente.
O
caderno permanece aberto entre as suas mãos, mas o seu olhar já não
segue as linhas. Uma sombra… um pássaro… algo acaba de se deslocar
violentamente no seu espírito. Uma incoerência. Não, mais do que uma
incoerência: uma espécie de torção silenciosa do próprio espaço
narrativo.
Recupera-se
e recomeça a folhear febrilmente os cadernos de Lucian, depois os de
Don Carotte. As datas flutuam. Certos fragmentos parecem responder uns
aos outros à distância. Outros parecem escritos antes dos acontecimentos
que descrevem. Até os próprios papagaios confundem por vezes as
sequências quando as narram.
Por fim encontra a passagem que procurava.
É isso… a viagem iniciática de Don Carotte começava na clareira… sempre aquela clareira.
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