Caderno de Félix
A história não procura uma planície fértil. Procura uma terra rara, como uma fissura no basalto ou uma bolsa de solo capaz de acolher uma raiz. Por vezes, uma única basta.
As personagens parecem viver segundo esta lei. A Criança-Lua encontra refúgio temporário num desenho. Don Carotte num cajado. Pinóquio o Outro numa palavra que ainda não pronunciou. Igniatius numa imagem. Lucian numa cópia. Eu próprio, talvez, nestas notas. Nenhum de nós parece instalado.
Assemelhamo-nos mais a viajantes que passam de ilha em ilha. E, no entanto, há já algum tempo que outra imagem se impõe a mim…
O circo.
Surpreende-me ter demorado tanto a vê-lo.
Pois, quase desde o início, tudo já estava lá.
O circo chega vindo de parte nenhuma.
Surge no horizonte como uma nova ilha.
Escolhe um terreno. Ergue os seus mastros. Estende as suas cordas. Depois constrói, em poucos dias, algo que se parece com uma morada.
Contudo, ninguém se deixa enganar… essa morada é provisória. Os seus postes entram na terra sem jamais criar raízes. Desenham a imagem do enraizamento. Tomam-lhe emprestada a forma. Recusam-lhe a duração. O chapitô possui, assim, algo de profundamente paradoxal.
Dá a impressão de um centro.
Mas… esse centro viaja.
Dá a impressão de uma casa… e essa casa vive da partida.
Dá a impressão de um lugar cuja única verdade reside na passagem.
Começo a suspeitar que a história que leio funciona da mesma maneira. Cada desenho assemelha-se a um chapitô erguido no meio do vento.
Cada carta cria temporariamente um espaço habitável. Cada personagem age como um mastro sustentando uma lona maior do que ela própria… e depois todo o conjunto se desmonta… e segue viagem…
As personagens parecem viver segundo esta lei. A Criança-Lua encontra refúgio temporário num desenho. Don Carotte num cajado. Pinóquio o Outro numa palavra que ainda não pronunciou. Igniatius numa imagem. Lucian numa cópia. Eu próprio, talvez, nestas notas. Nenhum de nós parece instalado.
Assemelhamo-nos mais a viajantes que passam de ilha em ilha. E, no entanto, há já algum tempo que outra imagem se impõe a mim…
O circo.
Surpreende-me ter demorado tanto a vê-lo.
Pois, quase desde o início, tudo já estava lá.
O circo chega vindo de parte nenhuma.
Surge no horizonte como uma nova ilha.
Escolhe um terreno. Ergue os seus mastros. Estende as suas cordas. Depois constrói, em poucos dias, algo que se parece com uma morada.
Contudo, ninguém se deixa enganar… essa morada é provisória. Os seus postes entram na terra sem jamais criar raízes. Desenham a imagem do enraizamento. Tomam-lhe emprestada a forma. Recusam-lhe a duração. O chapitô possui, assim, algo de profundamente paradoxal.
Dá a impressão de um centro.
Mas… esse centro viaja.
Dá a impressão de uma casa… e essa casa vive da partida.
Dá a impressão de um lugar cuja única verdade reside na passagem.
Começo a suspeitar que a história que leio funciona da mesma maneira. Cada desenho assemelha-se a um chapitô erguido no meio do vento.
Cada carta cria temporariamente um espaço habitável. Cada personagem age como um mastro sustentando uma lona maior do que ela própria… e depois todo o conjunto se desmonta… e segue viagem…
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